quarta-feira, 9 de março de 2011

Censo voltado aos Moradores de Rua

Depois de 20 anos de vigência do Estatuto da Criança e do Adolescente, quando sua aplicação revelou facetas questionadas por diversos grupos sociais, o governo promoveu o primeiro levantamento sobre menores de idade encontrados em situações de risco. O censo da criança de rua irá proporcionar a definição de projetos públicos que atenuem as distorções identificadas, entre elas, a doação de ajuda em dinheiro por parte do público.

O censo, de âmbito nacional, foi encomendado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República ao Instituto de Desenvolvimento Sustentável (INDESP). Os dados levantados permitiram traçar o perfil de crianças e adolescentes que dormem e trabalham nas ruas do País. A amostra foi obtida em pesquisas de campo promovidas em 75 cidades brasileiras com mais de 300 mil habitantes, identificando 23.973 menores carentes, oriundos de lares em conflito.

Com os subsídios obtidos, o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) promoverá, tempestivamente, cinco grandes encontros regionais para divulgar os resultados e estimular a continuidade desse trabalho cada vez mais imprescindível ao planejamento governamental. O perfil encontrado revela as causas motivadoras da fuga da moradia da família pelas ruas. Mesmo assim, 59% voltam para dormir na casa dos pais, parentes ou de amigos.

A rua é vista por esses menores em situação de risco como local para ganhar dinheiro, seja pela via de esmolas, seja por meio da venda de produtos ocasionais, especialmente nos sinais de trânsito. A questão maior, nesse item, se volta para o estímulo proporcionado pela espórtula para o retorno à via pública no dia seguinte. Com o tempo, o hábito leva a criança a abandonar a família, a escola e seu grupo de convivência.

Nos lares em conflito, há até mesmo estímulo dos pais para que os menores permaneçam nas ruas, como saída para obter meios de sobrevivência material. Como 71,8% dos atuantes no espaço urbano são do sexo masculino, a renda conseguida é vista, em casa, como um complemento salarial. Entretanto, do recolhimento da esmola para a aquisição e o consumo do crack o caminho é bem curto.

Há, também, menores que não retornam para dormir com a família, abrigando-se em locais de ruas (23%), em instituições (3%), enquanto 14,8% não têm destino noturno. Saem de casa os menores incomodados com as brigas verbais com os pais, os atritos domésticos, o alcoolismo, o uso de drogas, a violência sexual e a busca de liberdade.

A característica do contingente infantil disperso pelas áreas urbanas aparece indiretamente nesse perfil nacional: o baixo índice de escolaridade. A pesquisa encontrou apenas 6,7% dos menores ouvidos como tendo concluído o ensino fundamental e 4,1% portando o 2º grau incompleto.

A escola de tempo integral poderia amenizar essa realidade injusta. Ela pode oferecer a aprendizagem regular, a prática de esportes, o monitoramento das tarefas escolares e a convivência em ambiente saudável. Enquanto essa etapa não for conquistada, os menores permanecerão nas ruas.

Fonte: Diário do Nordeste

http://www.controlesocialdesarandi.com.br/2011/03/censo-de-menores-de-rua.html

terça-feira, 8 de março de 2011

Ministro da Saúde quer regulamentar Emenda 29

Entre as prioridades para a área da Saúde destacadas pelo novo ministro da pasta, Alexandre Padilha, algumas são objeto de propostas que já tramitam no Congresso Nacional; outras foram herdadas de gestões anteriores; e quase todas dependem de novos recursos alocados para o setor. No seu programa de governo, a presidente Dilma Rousseff prometeu aumentar os recursos destinados para a Saúde a fim de, entre outras metas, ampliar as equipes de Saúde da Família e criar novas Unidades de Pronto Atendimento 24 horas.

Em seu discurso de posse, Padilha anunciou um “choque de gestão” e a disposição de negociar com governadores e prefeitos a aprovação da regulamentação da Emenda Constitucional 29, que fixa os percentuais mínimos a serem gastos na Saúde por estados, municípios e União. O texto está parado no Plenário da Câmara desde 2008.

Proposta na Câmara
O texto mais atual na Câmara sobre a regulamentação da Emenda 29 (PLP 306/08, do Senado) é o substitutivo do deputado Pepe Vargas (PT-RS), segundo o qual a União deve aplicar na Saúde o mesmo valor empenhado no ano anterior, corrigido pela variação nominal do Produto Interno Bruto (PIB) entre os dois anos anteriores; os estados deverão aplicar 12% de seus impostos, e os municípios, 15%. Esses valores estão definidos provisoriamente na Constituição, mas não vêm sendo cumpridos pela falta de regulamentação.

Um dos problemas gerados pela falta de regulamentação é que a destinação atual dos recursos para a Saúde é pouco específica, podendo os gestores, por exemplo, direcionar verba para a assistência social alegando se tratar de uma medida de saúde. A regulamentação deixará claro quais ações serão consideradas de saúde – todas elas, inclusive, vinculadas ao Sistema Único de Saúde. O texto diz, por exemplo, que limpeza urbana, pagamento de aposentadoria de servidores da Saúde, merenda escolar e obras de saneamento não poderão setr custeadas por essa verba.

A votação não foi concluída pelo impasse entre governo e oposição sobre a criação da Contribuição Social da Saúde (CSS), um novo tributo previsto no substitutivo que seria cobrado nos moldes da extinta CPMF, mas com uma alíquota menor, de 0,10% sobre a movimentação financeira. A CPMF era cobrada em 0,38%. A estimativa é que a CSS gerasse uma de receita aproximada de R$ 15 bilhões ao ano.

Oposição
Os partidos de oposição (DEM, PSDB e PPS) não concordam com o novo tributo e apresentaram um destaque para retirar a base de cálculo do texto e inviabilizar a cobrança. “A proposta vem ao encontro do que a Frente Parlamentar da Saúde defende, que é o fortalecimento dos municípios a partir do pacto federativo”, destacou o deputado Raimundo Gomes de Matos (PSDB-CE), integrante da frente. “O problema é que todos os ministros defenderam isso durante os oito anos de Governo Lula, mas o assunto não avançou porque há descompasso entre os ministérios da Fazenda, da Saúde e do Planejamento”, destacou.

Na mesma linha argumenta o deputado Saraiva Felipe (PMDB-MG), um dos ex-ministros da Saúde do Governo Lula. “Todas as declarações dele [de Padilha] são reincidentes em relação às de ex-ministros da pasta. Eu, quando tomei posse, fiz um discurso que não estava muito diferente, assim como o Agenor e o Temporão”, disse, referindo-se aos também ex-ministros da pasta José Gomes Temporão e Agenor Álvares. “O SUS só vai obter resultados substantivos quando conseguir avançar em dois sentidos: na homogeneização da gestão – que é ótima em alguns lugares e péssima em outros – e resolver o problema do financiamento, porque não tem como sobreviver com R$ 1 por habitante/dia, as tabelas estão totalmente defasadas”, acrescentou.

Assim, os parlamentares desta legislatura que se encerra não foram convencidos sobre a necessidade de criar um tributo para financiar o sistema. Alguns, como o líder do DEM, deputado Paulo Bornhausen (SC), acreditam que a regulamentação da Emenda 29 já colocará, por si só, R$ 30 bilhões por ano na Saúde, mesmo sem a criação da CSS, já que os gastos serão obrigatoriamente direcionados para ações específicas do SUS.

O coordenador da área de Saúde do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Sérgio Piola, discorda. Para ele, a destinação correta dos recursos não é suficiente para garantir uma prestação de serviços semelhante à dos países desenvolvidos. “É preciso mais recurso, seja ele proveniente de um tributo específico ou não”, avalia.

Fonte: Reportagem – Rodrigo Bittar / Edição – Patricia Roedel - Agência Câmara de Notícias

http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/SAUDE/192465-MINISTRO-DA-SAUDE-QUER-REGULAMENTAR-EMENDA-29;-TEXTO-ESTA-PARADO-DESDE-2008.html


Programa de Atenção Domiciliar da Secretaria de Saúde prevê atendimento do Serviço Social

Secretaria de Saúde atende 1246 pacientes em casa

Todos os dias, profissionais em 11 regionais de saúde visitam pacientes com doenças crônicas em casa. Médicos, enfermeiros e auxiliares de enfermagem da Gerência de Atenção Domiciliar da Secretaria de Saúde atendem doentes acamados e com seqüelas, que  precisam de cuidados por estarem debilitados. “Manter o paciente em casa impede as reinternações e as infecções hospitalares comuns nos casos de doenças crônicas”, explica a gerente de Atenção Domiciliar, Maria Leopoldina Villas Boas, que destaca como maior vantagem do serviço a humanização do atendimento.
 
Atualmente 110 profissionais de saúde atendem 1246 pacientes cadastrados. A solicitação para admissão no programa é feita por meio de relatório do médico que acompanha o paciente. O público alvo são idosos e portadores de doenças crônicas estáveis, que passam a receber assistência multidisciplinar em casa. São atendidas, por exemplo, vítimas de acidente vascular cerebral com traqueostomia, pacientes que recebem  dieta enteral – alimentação líquida, por meio de sonda -, doentes com colostomia e úlceras. De acordo com a portaria do Ministério da Saúde, que instituiu a internação domiciliar em 2006, o programa não inclui doentes que dependem de ventilação mecânica, cuidados intensivos e de equipamentos de alta complexidade.
 
As equipes da Gerência de Atenção Domiciliar atuam em Sobradinho, Planaltina, Gama, Asa Norte, Guará, Paranoá, São Sebastião, Taguatinga, Ceilândia, Samambaia e Núcleo Bandeirante.
 
Segundo a coordenadora, o programa dos 100 dias do governo Agnelo prevê a implantação do serviço em mais quatro cidades, totalizando 15 equipes. A médio prazo a meta é atingir  22 equipes, para assegurar a cobertura de todo Distrito Federal. “O ideal é ter pelo menos um núcleo em cada regional de saúde, interagindo com a atenção primária, Samu, hospitais e clínicas especializadas”, afirma Maria Leopoldina.
 
Além de médico, enfermeiro e auxiliar de enfermagem, o paciente  é assistido ainda por  nutricionista, fisioterapeuta, assistente social, terapeuta ocupacional e psicólogo. Um cuidador, na maioria dos casos alguém da família do paciente, é treinado e orientado sobre como dar banho, tratar feridas, cuidar da alimentação e da medicação.
 
O cronograma de visitas depende da complexidade da assistência prestada ao paciente. Casos mais graves recebem os profissionais pelo menos uma vez por dia. Os moderados são atendidos uma vez por semana e os menos graves a cada duas semanas. Em todos os casos o cuidador é orientado a acionar a equipe sempre que ocorrer qualquer alteração com o doente.
 
Cada paciente tem um cartão de acompanhamento que funciona como um prontuário domiciliar onde estão registradas as principais informações sobre o quadro clínico, diagnóstico e medicação. “Se este paciente precisar ser levado para o hospital, ou se for atendido por uma equipe do Samu o profissional terá um resumo do caso o que facilitará o atendimento”, explica a gerente de Atenção Domiciliar.

Fonte: Ascom SES/DF - http://www.saude.df.gov.br/001/00101001.asp?ttCD_CHAVE=163&btOperacao=

CFESS Manifesta: Dia Internacional da Mulher

Documento traz a agenda de lutas pela igualdade de gênero e reafirma o combate à violação aos direitos das mulheres
A terça-feira de Carnaval de 2011 também é data de marcar posicionamento político? Se você respondeu que não, é porque deve estar se esquecendo que hoje, 8 de março, é celebrado o Dia Internacional da Mulher. Por esse motivo, o CFESS vem a público se manifestar e reafirmar o compromisso de todos/as os/as assistentes sociais no combate a todas as formas de violação aos direitos das mulheres. Uma luta que exige ações macroestruturais e convoca o potencial das mulheres na exigência de possibilidades igualitárias em todos os espaços e dimensões da vida.

Esta edição do CFESS Manifesta atualiza a agenda de lutas pela igualdade de gênero e por um mundo onde a vida seja plenamente humanizada, e faz um balanço das conquistas galgadas ao longo desses anos: nas relações de trabalho, na inserção da vida política, no acesso à educação e à cultura e na liberdade sexual. "Mas esses avanços ainda não correspondem às necessidades das mulheres em sua plenitude humana. Além do mais, o século XXI chegou trazendo novas formas de opressão que requerem, também, outras formas de dizer "não" ao sistema de exploração capitalista e patriarcal", diz trecho documento.

"Pela superação das condições a que estão submetidas as mulheres, na afirmação do nosso Código de Ética que atinge seus 18 anos, o CFESS lança seu grito que deve ecoar junto com o de todas e todos que batalham pela igualdade e liberdade para as mulheres na direção da sociedade emancipada", defende a vice-presidente do Conselho Federal, Sâmbara Paula Ribeiro.


Fonte: Rafael Werkema - JP/MG - 11732 - Assessor de Comunicação do CFESS - comunicacao@cfess.org.br

sexta-feira, 4 de março de 2011

"ASSISTENTES SOCIAIS DO INSS - A LUTA CONTINUA!!! "

SISREF 30 HORAS !!! 

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Estamos próximos do 8 de Março – Dia Internacional de luta das Mulheres – e como nossa categoria é majoritariamente composta por mulheres não podemos nos furtar de recordar das bravas guerreiras que nos antecederam. “Em 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica reivindicando melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho. A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano.” Ao ser criado o 8 de Março, Dia Internacional de luta das Mulheres, não se pretendia lamentar ou mesmo comemorar esta data. Mas que se tornasse um marco para discutir o papel da mulher na sociedade atual. O esforço é para tentar diminuir e, quem sabe um dia terminar, com o preconceito e a desvalorização da mulher. Mesmo com todos os avanços, as mulheres ainda sofrem, em muitos locais, com salários baixos, assedio sexual e moral nos ambientes de trabalho, violência masculina, jornada excessiva de trabalho e com dupla jornada doméstica e desvantagens na carreira profissional. Muito foi conquistado, mas muito ainda há para ser modificado nesta história. 
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E atualmente os/as bravos/as Assistentes Sociais do INSS estão em luta pela implementação da lei 12.317/2010 e passam por momentos de aflição, angustia, insegurança, enfim passam hoje pela árdua caminhada pela qual passam todos os trabalhadores quando buscam garantir seus direitos e esta luta pela reivindicação do nosso legítimo direito as 30 horas no INSS serve nos de exemplo para entendermos ainda mais as mazelas da relação capital trabalho. Serve para entendermos que ao longo da história, para conseguir se organizar, por sobrevivência e mínimas condições de trabalho, entre derrotas e vitórias, muitas/os morreram para garantir que as próximas gerações, tivessem uma vida um pouco melhor, com direitos essenciais para continuar existindo. E isso esses guerreiros/as conseguiram! Os muitos/as que nos antecederam lutaram por melhores condições de trabalho para a classe trabalhadora que na história da humanidade sempre se refletiu pela exploração para o acumulo de capital sempre proveniente da extração barbara da mais- valia de trabalho. Hoje fazemos uma reverência as bravas lutadoras do 8 de Março e conclamamos todos/as a aderirem ao SISREF 30 horas semanais, pois o Ato realizado na superintendência em São Paulo no dia 01/03/2010 foi o ponta pé inicial para que avançássemos na luta, mas a luta continua e nós temos que permanecer firmes na deliberação de registro de 30 horas no Sisref justificando com a lei que nos ampara, pois a história nos ensina que todo e qualquer direito conquistado pela classe trabalhadora foi fruto de luta e o Conjunto CFESS/CRESS reafirma: “a luta é coletiva, é de todos/as e de cada um/a, para fazermos valer esse direito” . 
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E se todo esse passado não for motivo suficiente para criarmos forças para permanecermos engajados na luta pelas 30 horas quem sabe olhando para frente, para as próximas gerações – nossos filhos, netos… - baste, pois a perda de direitos esta presente no momento atual e a omissão favorece esta perda. E nada será em vão, pois quando avançamos no dia a dia no INSS e em tantos outros espaços de luta estamos de alguma forma contribuindo com a história da humanidade, nossa luta hoje abre precedente para que os/as demais trabalhadores/as também reivindiquem a diminuição da extração da mais-valia de trabalho tanto no INSS quanto em outros espaços sócios ocupacionais. O CRESS SP e o SINSPREV SP conclamam os seus trabalhadores/as a permanecerem firmes na luta e aos que ainda não se engajaram tanto os de São Paulo quanto os dos demais estados que se inspirem no Dia Internacional de Luta das Mulheres e passem a registrar seus pontos de 6 horas a partir de 9 de março justificando com a legislação. 

 

Nossa categoria nunca fugiu a luta !!! Firmes guerreiras/os e até a vitória!!! 


Fonte: http://www.cfess.org.br/noticias_res.php?id=560

terça-feira, 1 de março de 2011

Assistentes Sociais aprovados no concurso da SEJUS/DF protestam em frente ao CAJE

Depois que o GDF divulgou o Plano para a desativação gradativa do CAJE, candidatos aprovados em concurso protestam em prol de mais nomeações, dentre estes, assistentes sociais. 

Os candidatos aprovados nos últimos concursos da Sejus e da Sedest, realizados em 2010, estão preocupados. Segundo o GDF, eles podem ser aproveitados em algumas das pastas criadas pela atual gestão, como as Secretarias da Criança, da Mulher e da Juventude. Segundo dados publicados no fim do ano passado no Diário Oficial do Distrito Federal, o governo conta hoje com 970 técnicos em assistência social, mas há uma demanda não atendida de 2.730 profissionais.

Contudo, o GDF não  divulgou como uma de suas ações priorizar as nomeações destes candidatos para os respectivos órgãos. Como o GDF pretende implantar um novo modelo de Sistema Socioeducativo sem servidores nomeados e devidamente capacitados?  Espera-se que o Ministério Público atue neste sentido, para que os adolescentes tenham um atendimento de qualidade, conforme previsto pelo Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA, bem como, que os trabalhadores desta área sejam igualmente priorizados quando da definição orçamenta'ria e tomadas de decisão  para a implementação de ações de gestão  no âmbito da Politica da Crianca e do Adolescente.

COMISSÃO DE SEGURIDADE SOCIAL
CRESS/DF

Medidas definitivas para desativar o CAJE

Governo pede prazo para fechar gradativamente o centro de internação da Asa Norte - CAJE 

Apesar de a Justiça ter determinado que a partir de hoje o Centro de Atendimento Juvenil Especializado (Caje) não receberia mais nenhum interno, o governo local ganhou tempo para cumprir a medida. O governador Agnelo Queiroz protocolou um novo plano para gestão do sistema socioeducativo de jovens no Distrito Federal, em que pede dois anos para se adequar às normas preconizadas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Entre as medidas apresentadas à 1ª Vara da Infância e Juventude (VIJ), estão a construção de cinco centros para abrigar adolescentes infratores. Também está prevista a criação de uma central integrada que envolverá representantes dos órgãos ligados à defesa dos direitos infantojuvenis, para dar mais rapidez aos processos em tramitação. 

A criação do Sistema Educativo de Ressocialização (SER), proposto pelo poder Executivo, atende à reivindicação do juiz titular da VIJ, Renato Rodovalho, que, em dezembro do ano passado, ordenou a desativação gradual do centro de internação construído no fim da Asa Norte. No entendimento do magistrado, o encerramento das atividades no estabelecimento prisional é necessário porque o modelo de gestão vigente compromete a recuperação dos adolescentes. Para a VIJ e o Ministério Público do DF (MPDFT), o conjunto de deficiências apontadas - como superlotação e falta de um plano pedagógico - contribuiu para as 21 mortes ocorridas no Caje nos últimos 15 anos.  

A decisão de Rodovalho obriga o GDF a pagar multa de diária de R$ 20 mil em caso de descumprimento, mas, por enquanto, o governo fica livre da pena. Com o plano em mão, o juiz dará um prazo para a Promotoria da Infância e Juventude analisar o projeto e dar sua opinião. O magistrado decidirá se a unidade será obrigada, ou não, a fechar as portas imediatamente somente após estudar o parecer do MPDFT. 

O promotor responsável pela ação que motivou o pedido de desativação, Anderson Andrade, considera as soluções apresentadas pelo governo pouco eficazes. "Esperava que o GDF apresentasse um plano para dar destino a esses adolescentes a partir de amanhã (hoje). Entendo que apenas construir novas unidades não é suficiente para contemplar o objetivo da ação, que é melhorar o sistema", criticou. 

O promotor reconhece que o fechamento do Caje é uma decisão dura, mas adequada. "Pedir a desativação do Caje, de certo modo, é duro, mas não foi uma decisão tomada de uma hora para outra. Desde 1992, o Ministério Público ingressa com ações para tentar resolver os problemas do Caje, mas agora chegou ao limite", sustenta Anderson Andrade, ressaltando que o pedido de fechamento da unidade atende recomendações de vários órgãos. "Chegamos a essa conclusão após uma reflexão sobre o assunto. Reunimos depoimentos, documentos e opiniões do Conselho de Defesa da Criança e do Adolescente (CDCA), Comissão dos Direitos Humanos e Conselho Nacional de Justiça (CNJ)", completou. 

Novas unidades
De acordo com Agnelo Queiroz, as novas unidades do SER serão instaladas em Sobradinho, Brazlândia, Gama, São Sebastião e Santa Maria. Há orçamento para a construção de quatro centros. A previsão é que cada um custe aos cofres públicos cerca de R$ 12 milhões. Um quinto estabelecimento que atenderá 40 meninas em conflito com a lei será custeado com a ajuda do governo federal, segundo o governador do DF. 

A previsão é que o edital de licitação seja publicado em abril e as obras comecem em julho. Se tudo ocorrer conforme o planejado, a expectativa de Agnelo é entregar as unidades no fim do primeiro semestre de 2012. "À medida que as novas unidades ficarem prontas, as transferências serão feitas gradativamente, até a completa desativação do Caje. Estamos tratando de uma medida concreta para mudar a realidade do sistema socioeducativo do DF", afirmou. 

O secretário da Criança - órgão criado no governo Agnelo -, Dioclécio Campos, adiantou que o governo federal pretende financiar a construção no DF da primeira escola do país voltada à formação de cuidadores da área socioeducativa. "Os profissionais receberão capacitação contínua, o que possibilitará uma nova organização e funcionamento do sistema", comentou. 

Dioclécio anunciou também que os menores infratores aptos a receberem os benefícios da semiliberdade e da liberdade assistida terão os processos analisados com mais rapidez. A intenção é diminuir a ocupação do Caje, uma vez que o centro continuará recebendo jovens em conflito com a lei. Atualmente, as alas do centro comportam mais que o dobro da lotação. São 380 adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa, quando o limite deveria ser de 160.

A mãe de um jovem internado há dois anos por cometer latrocínio (roubo com morte), defende o fechamento do estabelecimento, desde que novos espaços sejam abertos no DF. "O Caje realmente é uma bomba-relógio. Os meninos sofrem muito com as instalações precárias, a falta de assistência e até maus-tratos. No entanto, para tirarem eles daqui, é necessário um lugar melhor", opinou a mulher, que preferiu não se identificar.

Praça cívica
Após a desativação do Caje, o local será transformado na Praça da Cidadania. O espaço abrigará órgãos empenhados na defesa dos direitos da criança e do adolescente no Distrito Federal, inclusive a sede da Secretaria da Criança. 

Saulo Araújo , Noelle Oliveira 
Palavra de especialista
"A decisão da Justiça de pedir a desocupação do Caje é correta porque trata-se de uma instituição falida há muitos anos. No entanto, é preciso pensar qual será o destino dos adolescentes em conflito com a lei. Hoje, o atendimento oferecido no Cesame e no Ciago é mais individualizado, o que propicia a recuperação dos jovens. Se começarem a jogar os adolescentes nesses centros, vai se resolver um problema e se criar dois, porque as unidades ficarão lotadas e a qualidade do atendimento não será a mesma. Construir novas unidades apenas não basta. O governo tem que pensar o que esse menino faz depois de cumprir a medida socioeducativa, porque enquanto ele se encontra internado, recebe atenção do Estado, mas depois que ele sai, volta para sua realidade: família desestruturada, más companhias. É preciso pensar alternativas para esses jovens depois que deixam os centros para que eles não reincidam."

Bruna Gatti, mestre em sociologia pela UnB e especialista em violência juvenil.

http://www.linearclipping.com.br/PDFs/1567648.pdf

Fonte: http://www.unb.br/noticias/unbagencia/cpmod.php?id=85183